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sexta-feira, outubro 26, 2007

contas de merceeiro: exercícios numa ciência oculta


$2,400,000,000,000. 2 milhões de 400 milhões de dólares (ou 2 triliões e 400 biliões?). É até agora a estimativa mais alta do custo da guerra. (disclosure): eu perco-me nos milhares de milhões.

Cada um dá o seu palpite. Há uns meses, o NYTimes fez as suas contas e chegou a 1.2 triliões. Há quem faça contas ao dia (300 milhões de dólares), há quem prefira a longue durée de uma semanita (2 biliões). Até agora, e em investimento aprovado pelo congresso, já se gastaram mais de 350 biliões de usd na ocupação do Iraque. Stiglitz (conselheiro Clinton, Nobel 2001, autor de Globalization and its Discontents -- mercadoria quentinha) aposta nos 2 triliões. Certo, certo é que longe vai o tempo em que um conselheiro da Casa Branca era despedido por sugerir que o custo total da guerra andaria nos 200 biliões de usd. (NYTimes)

Mas de acordo com estas contas do congresso, e prevendo que os EUA fiquem no Iraque e Afeganistão até 2017, o governo federal Americano enterrará qualquer coisa como 1900 pontes vasco da gama (a 897 milhões de euros cada) ou o equivalente a 4.3 anos do PIB de Portugal (a 229 mil milhões de dólares/ano). Trocado por miúdos, se os EUA decidissem brindar cada cidadão português em nome da paz com soma equivalente, isso dar-nos-ia qualquer coisa como 240 mil dólares. Notem que este truque de bruxaria só inclui o investimento federal, não calculando custos indirectos como o apoio médico aos soldados feridos ou o aumento no preço do petróleo. Só por isso é que é tão optimista: a 200 biliões de dólares/ano, só para o Iraque, mais os custos da ocupação do Afeganistão, não será difícil ultrapassar os 3 biliões de dólares num espaço de 14 anos (2003-2017). Nem vale a pena tentar meter o Irão nestas contas, lá chegaremos.

Eu só sei que não me importaria com os 240 mil dólares. Em nome da paz, claro.

(Hoje houve manifs nas principais cidades americanas)
(Entrevista de Joseph Stiglitz à Rolling Stone)

Um apoio visual, tirado de Crooks&Liars:


Isto são 9 milhões de dólares, à escala humana, e juntando cada nota de dólar.E isto são 315 biliões de dólares. O pontinho preto no canto é a figura anterior. Esta figura vezes 7 e têm a massa física do dinheiro gasto na guerra.

quinta-feira, junho 14, 2007

decalage


15 Janeiro 2005 (bbc)

14 Junho 2007 (DN)

A 'notícia' reapareceu um pouco por todo o lado a 8 de Junho a partir de uma reportagem da estação local CBS 5, Califórnia. De repente toda a gente se lembrou que seria uma "bomba gay." Mas nem a isso o jornalista do DN faz referência, é mesmo um atraso de 2 anos. E mais uns dias. (links nas imagens)

sexta-feira, junho 01, 2007

gunter grass


Vale a pena ler este texto: Gunter Grass, no mitigating epithets allowed, explica como viveu a guerra combatendo pelas SS. Aqui (new yorker, 4 junho)

segunda-feira, abril 23, 2007

war as usual

Quando decidiu pela primeira vez receber um representante dos ocupantes, em 2003, o Grande Ayatollah iraquiano Ali al-Sistani exigiu que o seu interlocutor fosse Iraquiano. Para emissário a escolha recaiu então num médico 'iraco-americano' exilado na Flórida, seleccionado pessoalmente por Paul Wolfowitz, e conhecido nos meios cientifico-empresariais por ter patenteado um sofisticado implante no pénis para casos de impotência sexual (uma escolha tão apropriada como um zézé camarinha de canudo para ir falar com o papa). Naturalmente, seguiu-se uma Fatwa contra a possibilidade da constituição ser escrita pela Autoridade Provisória da Coligação (CPA no acrónimo inglês).


Este episódio é contado por Rajiv Chandrasekaran, jornalista do Washington Post destacado no Iraque em 2003, e dá bem conta do peso em que se tinha tornado o fardo da ocupação. São anedotas rotineiras se tomadas isoladamente, mas uma tragédia na big picture de 4 anos de ocupação americana. E é precisamente como retrato do quotidiano palaciano do exercício de poder ocupante que "Imperial Life in the Emerald City" (2006) me convenceu. É que mais do que as anedotas da ocupação (e pérolas não faltam para quem quiser animar diatribes fuckamerica, como na inveja americana das caravanas fornecidas pelo IKEA aos soldados britânicos), este livro conta a história de um poder-fortaleza sitiado no seu próprio terrento --- por força do amadorismo da missão civilizacional, dos tiques ditatoriais do vice-rei Bremer, do desastre total da estrutura de ocupação --- e eventualmente aí combatido (como nos primeiros dois atentados suicidas no interior da 'cidade-esmerda', em 2004, bem anteriores ao recente ataque durante a visita do SG das NU). E lembra-nos que os éditos da Haliburton a regular a vida na zona verde, ao ponto rídiculo de proibir a posse de animais domésticos no perímetro da cidade-esmeralda, são parte integrante da história da primeira guerra de ocupação comandada no terreno por uma empresa privada.


O epílogo do livro termina com uma situação de guerra civil. De todos os neo-cons arregimentados em manada para o Iraque, Bremer foi o primeiro a desertar, de helicóptero, dois dias antes da data prevista. O seu sonho de uma democracia regulada pelo mercado livre, como conta um dos implicados, foi 'esmagado pela realidade.' Neste processo de fuga em frente, resta saber até que ponto a adminstração americana não estará a ser minada, no Iraque ou em casa (como na história dos promotores públicos despedidos recentemente) ao ponto da implosão. Ou do não retorno.
Podem ler um curto excerto do primeiro capítulo aqui.

segunda-feira, abril 16, 2007

America at a crossroads

Este documentário da PBS estreou no Domingo e merece ser visto e posto a circular. O clip é retirado do terceiro episódio -- Operation Homecoming, a guerra pelas palavras de quem a faz Mais informação aqui pbs.crossroads e aqui Crossroads.Youtube.

sábado, março 18, 2006

Vulcanize Iraq!

MAKE THE PIE HIGHER
by George W. Bush

I think we all agree, the past is over.
This is still a dangerous world.
It's a world of madmen and uncertainty
and potential mental losses.

Rarely is the question asked
Is our children learning?
Will the highways of the Internet become more few?
How many hands have I shaked?

They misunderestimate me.
I am a pitbull on the pantleg of opportunity.
I know that the human being and the fish can coexist.
Families is where our nation finds hope, where our wings take dream.
Put food on your family!
Knock down the tollbooth!
Vulcanize society!
Make the pie higher! Make the pie higher!

[compilação de bushismos, para o 3º aniversário da ocupação do Iraque. Podem ver aqui a origem e o contexto em que cada frase foi 'dizida']

quinta-feira, março 16, 2006