segunda-feira, abril 03, 2006

Quando cheguei aos estados unidos, estes cartazes estavam espalhados um pouco por todo o lado. Entretanto, os Ipods invadiram o mercado e comprar música pelo Itunes tornou-se habitual. Aos poucos, o medo vai vencendo as redes de P2P. Parece que a ameaça chega agora a Portugal.

O Público noticiava isto ontem: "Indústria Fonográfica processa portugueses que roubam música na internet": ("Nas próximas semanas, os portugueses que tenham carregado ou descarregado ilegalmente músicas na internet irão receber uma carta a convidá-los a pagar uma indemnização por desrespeito dos direitos de autor ou, em alternativa, enfrentar um processo judicial.")


Reparem no tom: quem descarrega música da net está a 'roubá-la' - nem umas aspazitas para suavizar a acusação. E depois a ameaça: se a notícia fala em possibilidade não concretizada, o título antecipa o acto de acusação em tribunal. Mas esta notícia não é só grave pelo exemplo de péssimo jornalismo.


A defesa da propriedade da indústria da música (não, não são os direitos de autor que estão em causa) tem assentado numa estratégia de terror e disseminação do medo. Ainda mais grave porque completamente arbitrária (ou alguém acredita que 'todos' serão acusados?) e por colocar em causa a privacidade dos utilizadores da net (como identificarão os 'ladrões' senão graças aos belos servidores de internet que se prestam a dar essa informação?). Esta estratégia assenta na difusão do terror entre consumidores (não são as redes de distribuição que serão processadas) e na venda de hardware acessível (Ipods baratuchos) a pedir músicas fresquinhas do Itunes. Não é fixe ter um Ipod.


Valha-nos a blogosfera e o aumento exponencial de blogs a oferecer mp3 de graça: "You can Sue but you can't catch everyone"

4 comentários:

O rei do download disse...

O pior de tudo é papel de defensores da música que as companhias fonográficas assumem. A música sempre existiu e sempre vai existir. A venda de suportes tem pouco mais de 100 anos. Fazer downloads ilegais é ajudar a destruír aqueles que, de facto, limitam a música que se pode ouvir a pessoas que podem pagar preços exagerados. Não descansaremos enquanto a ditadura das editoras continuar...

Miguel Caetano disse...

Filipe:

Não acho "mal" (nem bem) as empresas disponibilizarem hardware acessível. O problema é quando esse hardware só permite a leitura de formatos proprietários de música (MP3 ou AAC) e não alternativas livre como o .ogg.

Em relação à falsa polémica dos direitos de autor, a única possibilidade de mudar as coisas passa por adoptar medidas como o projecto-lei que foi discutido e rejeitado em França para uma taxa única de 15 ou 12 euros por mês que iria permitir o download ilimitado de todo o tipo de conteúdos. Esse montante iria depois ser distribuído e canalizado para os autores.

Mas para que leis como essas possam ser implementadas é preciso que antes disso estejam preenchidas uma série de condições: independência dos artistas face às quatro majors e aos estúdios de cinema, dissociação entre as sociedades de defesa dos autores dos interesses dessas companhias, consciencialização dos políticos, etc.

Cabral disse...

Miguel Caetano,

Esta proposta da "taxa única de 15 ou 12 euros por mês que iria permitir o download ilimitado de todo o tipo de conteúdos.", nao sera uma forma velada de aprisionar o mercado? (alias de o criar) Uma vez participando nesse esquema ficas registado.

E' como pagar a taxa da televisao, comecam sempre pequeninas mas uma vez tendo os espectadores presos tornam-se logo careiras (vivo no Reino Unido onde pago 120 libras por ano).

O paradigma do open-source, talvez fosse melhor, disponibilizar a musica livremente e fazer o guito pela publicidade. Talvez o assedio da publicidade seja igualmente mau mas ao menos nao somos mais uma vez cadastrados pelo Big Brother.

Miguel Caetano disse...

Esta proposta da "taxa única de 15 ou 12 euros por mês que iria permitir o download ilimitado de todo o tipo de conteúdos.", nao sera uma forma velada de aprisionar o mercado?
(...)
O paradigma do open-source, talvez fosse melhor, disponibilizar a musica livremente e fazer o guito pela publicidade. Talvez o assedio da publicidade seja igualmente mau mas ao menos nao somos mais uma vez cadastrados pelo Big Brother.


Acho que é preferível (e mais realista) a aplicação de taxas. OS ISPs lucram com o dinheiro da mensalidade de acesso à Net a altas velocidades. Os fabricantes de hardware e de CD-ROMs ganham dinheiro com o suporte físico. Tudo às custas dos artistas e criadores, em geral, que nunca recebem nada.

Mas se existisse uma taxa destinada única e exclusivamente para os artistas, tendo em conta os ficheiros mais transferidos num mês em redes como bittorrent, edonkey, kazaa, gnutella2, kad, etc, isso iria levar ao desaparecimento de muitos intermediários, tipo editoras, distribuidores, etc.

Eu acho que os autores têm todo o direito a serem recompensados. Mas actualmente, eles estão a ser mais prejudicados do que beneficiados com o sistema vigente dos direitos de autor. E quando se fala em coisas como roubo e pirataria, isso é cair em simplificações grosseiras. Há muita gente que está a fazer dinheiro com a partilha de ficheiros...