sexta-feira, março 03, 2006

Sahlins e a Prickly Paradigm Press

Os panfletos de Marshall Sahlins
(a propósito de uma discussão sobre pós-modernismo e pessimismo)
'Prickly Pear' é o nome de um cacto selvagem. Mas mesmo no cacto nasce um fruto e em 1993 dois antropólogos (Keith Hart e Anna Grimshaw) lançavam uma nova editora em Cambridge: Prickly Pear. Vendidos 7.000 panfletos fecharam as portas. Mas o paradigma panfletário ficou, e em 2002 Marshall Sahlins lançava a Prickly Paradigm Press.
"The old-time pamphlet is back, with some of the most challenging intellectual work being done today. Prickly Paradigm Press, LLC is devoted to giving serious authors free rein to say what's right and what's wrong about their disciplines and about the world, including what's never been said before. The result is intellectuals unbound, writing unconstrained and creative texts about meaningful matters."
São pequenos livrinhos, c. 100 páginas, vendidos a 10$ cada. Mas estes panfletos passam a estar disponíveis para descarregamento gratuito uma vez coberto o investimento. Por isso leiam: leiam "Talking Politics, the substance of style from Abe to 'W'" de Michael Silverstein (um dos linguistas mais conceituados no mundo da semiótica), leiam o panfleto de Bruno Latour, o de Deirdre McCloskey ('The secret sins of economics') ou "Fragments of an Anarchist anthropology" de David Graeber *. Mas leiam.

E não percam por nada "Waiting for Foucault, still" do próprio Sahlins. Cada vez mais me convenço que para além de ser o antropólogo mais respeitado da actualidade, Marshall Sahlins foi também o primeiro blogger avant la lettre. A porta do seu gabinete é uma verdadeira template de colagens, recortes e provocações. E este seu livrinho é uma retroescavadora de sátira e crítica social. "In anthropology there are some things that are better left un-said". Um panfleto, voilà.

Está tudo aqui: Prickly Paradigm Press (sigam 'titles')

* acabei de ler agora o último livro (2005, "Toward an Anthropological Theory of Value") deste antropólogo de Yale formado aqui. É daqueles livros que ou se torna fundamental ou é estoicamente ignorado pela forma como chuta para canto décadas de teoria social. Por mim, gostaria que fosse lido e levado a sério. Começou agora um novo projecto de investigação, uma etnografia da Direct Action Network, People's Global Action e Ya Basta!.

1 comentário:

A. Cabral disse...

Agradecido pelas referencias!!!