segunda-feira, fevereiro 27, 2006

democracia virtual I

Cada um tem os servidores que merece
representação tele-geográfica da internet (clica na imagem)

Comecei a pensar nestas coisas o ano passado, muito por culpa da casa onde vivia. É que esta casa, para além de uma disco ball, tinha um servidor próprio de internet, herança pesada de uma amiga que trabalhava em Chicago para a 'Interpublic' - uma típica multinacional de capital americano para prestação de serviços na área das comunicações e marketing, com 43.000 empregados em 130 países; até há pouco tempo, as suas filiais de publicidade davam conta da coca-cola e da pepsi ao mesmo tempo. A condição pós-moderna empurrada para o canto de uma sala: em Portugal vivia numa casa sem internet (nem sequer dial-up), num 5º andar sem elevador; em Chicago passei a ter um servidor.

rede terrestre na europa, final anos 90

Máquina estranha, este servidor americano: muito fio, tudo a piscar, respiração pesada. E é um objecto que não convida à reflexão. Pelo que sei, um servidor define-se como tal pelo software que usa, e não tanto pelo hardware. Mas uma máquina 'grande' - com firewall embutidos e a correr protocolos de DNS, HTTP ou FTP - acaba por ser condição para um servidor a sério, embora não seja fundamental num ambiente doméstico com poucos computadores ligados em rede. O que me interessou neste servidor foi a possibilidade de tocar em algo mais do que o simples fio que ligava o meu computador ao mundo exterior, de sentir um objecto incomensurável: o mais perto a que se pode estar do sublime. Já Kant e Schiller o diziam.


Na altura não fui muito mais longe pois a conspiração matrixiana paira constantemente sobre estas reflexões (ainda para mais com Interpublics à mistura). Mas há pouco tempo comecei a interessar-me na representação física da 'internet', na sua materialidade, afinal o propósito do meu servidor. Como fazer sentido dos circuitos por onde se move/faz mover a internet? Será produtivo isolar o objecto 'informação' das redes que o sustentam? Seria possível moldar o espaço da internet num mapa bidimensional?


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