segunda-feira, janeiro 30, 2006

glória fácil em Happy Friday

"Freakbikes, choppers, funnybikes, clownbikes, kustoms, tallbikes, swingbikes, lead sleds, chunkbikes, trashbikes, and frankenbikes". tirado de chicagofreakbike

Eu sabia que andar de bicicleta tinha que ter algo de contra-hegemónico. Juntei-me à critical mass - movimento com representação em Lisboa - nesta 6a, com mais de 2000 ciclistas. Andar de bicicleta nos EUA tranporta, por si só, uma mensagem política: "one less car" no país das bolhas ambulantes. Fazê-lo colectivamente, ocupando as ruas da cidade e obrigando assim ao encerramento do trânsito em hora de ponta, torna-se um acto de insubmissão (pelo qual pelo menos 3 ciclistas foram presos na 6a). Militância assim já não se faz - andei quase 40 kms só nesse dia, entre ir e voltar entre Hyde Park e o North Side.
Mas valeu a pena pois encontrei a minha tribo em Chicago. Aqui estão eles, junto a um picasso, numa praça de Chicago (no Verão de 2004, imagem tirada daqui)

Inventariar a diversidade deste movimento é tarefa difícil (ainda que a frente política da coisa esteja junta aqui, em chicago critical mass). Só na categoria 'chopper' (tipo harley) os rat-patrol classificam mais de 30 modelos diferentes. No ajuntamento de 'massa crítica' encontrei mais um modelo, que não aparece referenciado entre as bikespack (bicicletas para carregar material, úteis para enfrentar a concorrência de "scrapers"). Não tenho fotos, mas era literalmente um fogareiro, uma bicicleta-barbecue de 3 rodas, com o lume montado à frente do guiador. Para a próxima terei fotos minhas.

Das que fui encontrando, estas são das minhas preferidas: a 'Noam Chopsky' e as verdadeiramente old school (em 2º plano).













Aconteceu isto no mesmo dia em que uma publicação online de Chicago fez uma referência muito simpática a este blog, incluindo-o na lista "dos new and notables blogs". Os mais de cem visitantes que este blog teve nesse dia - quando publicava a sua centésima postagem - não se repetirão, evidentemente. São daquelas coisas estúpidas que a net permite: ter mais gente a ler o que escreves do que as pessoas que conheces realmente.

Mas estas coisas, para além de efémeras, são enganadoras. Com este blog, já terei perdido em amigos o que ganhei de novos conhecidos. E o problema mantém-se o mesmo de sempre: para quem estou afinal a escrever? É para os meus amigos que estão em Lisboa, é para as pessoas que me conhecem por aqui? Em que língua devo comunicar, então? O problema é cretino pois não há grande solução para ele. Não querendo ser uma alternativa para os postais que ficam por mandar, este blog está num beco sem saída. Até porque me irritam duas coisas nele (como noutros, aliás): a falta de curiosidade de quem aqui pára em criar uma comunidade de interesses (a julgar, por exemplo, pelo número de mails que recebi pedindo uma cópia do projecto da máquina de 'we are experienced') e pelo acanhamento nos comentários: opina-se pouco e mal, tirando honrosas excepções (como nos comentários sobre as presidenciais, aí para baixo) que não se refugiam no anonimato ou que até se dão ao trabalho de escrever coisas pensadas e não insultos cretinos que põem logo um tipo mal disposto.

E por isso este blog vai mudar. Talvez não acabe, mas vai mudar muito.

4 comentários:

André disse...

Muitos parabens pela referência positiva "something about a portuguese student". Gosto muito das mobilizações da critical mass embora convenhamos que Lisboa não é propriamente uma cidade bicycle friendly. Quem já experimentou (como eu) percorrer as colinas à pedalada descobriu, de certeza, que são bem mais que sete!

blau disse...

de pouco vale essa referência se não sei o que fazer com este blog. quanto à massa crítica, a cidade é grande. E não é só colinas. Ainda me lembro do serpa ir de bicicleta para a fcsh da sua casa nas avenidas novas. claro que não demorou muito até se arrepender. E só desistiu porque não havia...massa crítica.

Miguel Caetano disse...

Que tal escrever em português e inglês - bilinguismo total ;-)?

Seja como for, acho que nunca devias deixar de escrever em português. Faz falta mais vozes de qualidade nos blogs portugueses. Aqueles tipos do Asterisco escrevem todos em inglês apesar de viverem em Portugal. Que saloíce. Não sou nacionalista, nem sequer patriota, mas a cultura linguística é o que mais distingue as pessoas entre si. Neste mundo há centenas de milhões de pessoas que falam português. Existe uma necessidade de estabelecer um diálogo entre a pequena parte dessas pessoas que têm acesso à Net, para que tragam mais gente e assim se crie uma grande conversação da lusofonia.

blau disse...

concordo contigo Miguel